domingo, 26 de outubro de 2008

Vilar da Amoreira - um parque para encontrar

O Vilar era uma pequena aldeia na Freguesia de Portela do Fojo (vulgo Amoreira), que ficou parcialmente submersa com a Barragem do Cabril em 1954. Quando ali chegamos e a barragem está “baixa” ainda adivinhamos antigas ruínas, casas, moinhos, antigas “barrocas”, passagens de água. A aldeia do Vilar voltou a nascer um pouco acima das águas e em baixo encontramos um espaço propício ao descanso, à pesca (para quem é amante deste desporto), a um bom convívio, uma tarde bem passada. Para além do espaço em si, estão ali implantadas infra-estruturas que são valiosas: piscina fluvial, parque de merendas, churrasqueira e bar de apoio.
Quando a primeira vez fui aquele local, pareceu-me idílico. E ainda hoje quando lá vou sinto o mesmo. O silêncio que nos acalma, nos organiza ideias, o som e a visão das águas que aprofunda sentimentos e pensamentos.
Uma paisagem que pode ser bonita desde o amanhecer até ao entardecer, experimentem acompanhar os cambiantes de cor – a água que brilha e mostra diferentes tons de azul, o sol que se põe e nos traz uma certa nostalgia, do mundo, da vida, de tudo.

Figueira, um outro mundo

Bem a descoberta das aldeias de Xisto continua… Figueira é uma aldeia no concelho de Proença-a-Nova. Há poucas aldeias “em xisto” neste percurso Rede de Aldeias de Xisto, mas Figueira mantém a arquitectura e o modo de vida.
De facto, e por enquanto, resta finalizar ainda muitas obras, casas ainda em restauro, iluminação que está a ser colocada, mas sente-se o modo de vida rural, o cheiro a cultivo, os sons dos animais domésticos, os produtos das colheitas aqui e ali. Figueira é uma aldeia simples, é aí que está a sua beleza. Quem não gosta de aldeias… não a vai entender decerto.Calma nas ruas, silencioso o ambiente. Poucas pessoas encontramos, mas as que se cruzam connosco, são afáveis e fazem-nos sentir bem vindos. Como sempre os animais cumprimentam-nos. Para além do cão de grande porte e tão afável que nos causa espanto, até ao gatinho que nos olha desconfiado. Os gansos e galinhas assinalam a nossa passagem com grande alvoroço, e descobrimos até uma ninhada de pintainhos – que lindos!A aldeia parece pequena mas quando a percorremos, encontramos outros motivos de entusiasmo, candeeiros “à moda antiga”, becos que se revelam, estreitas ruas que fazem lembrar os cenários das histórias dos nossos pais… convívio dos jovens sentados num balcão, o jogo da apanhada no labirinto da aldeia, o jogo do pião e do arco…
O ex libris da terra é de facto o forno comunitário que tem um sistema de marcação, encontramos na parede um “calendário” que permite assinalar quem coze… segredos de uma comunidade rural…Há nestas visitas sempre um momento lúdico e um momento de emoção. Lúdico pois querendo ou não aprendemos e descobrimos um outro lado do dia a dia no nosso mundo, no nosso pequeno país, na nossa minúscula vida. Estas comunidades existem há muito mais tempo que o tempo que nós duramos, é de facto compreensível que se preservem. Não só o património construído mas sobretudo a vivencia comunitária – é ela que faz com que a aldeia sobreviva. E mesmo que, como eu, sejamos naturais de uma aldeia ali descobrimos sempre uma faceta nova, uma interpretação diferente das coisas e da vida. Consegue-se adivinhar nos olhos de quem encontramos, que eles sabem coisas que nós não sabemos (e quase os invejo por isso).A emoção vem da partilha, do reconhecer algum pormenor, da tristeza de ver estes mundos escondidos, abandonados pelas populações activas, que ali teriam qualidade de vida… A emoção vem da partilha que existe entre quem está e quem passa… para um e outro a tristeza é a sério quando partimos.
Mais informação sobre a aldeia em http://www.aldeiasdoxisto.pt/aldeia/3/5/139/140.

Mais fotos em:
http://pafonso.multiply.com/photos/album/133/Figueira

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O outro lado de Penha Garcia, a Rota dos Fósseis

Fomos à descoberta descendo junto a Barragem de Penha Garcia (para aceder a este local poderão também descer pelo caminho Pedestre da Rota dos Fósseis, ao cimo da aldeia de Penha Garcia, a aldeia histórica).Aqui encontramos um tesouro do património geológico e construído. Nos penedos descobrem-se fósseis, testemunho dos seres vivos que outrora habitaram os oceanos, que ali existiram. Mantém-se no local também a “Casa dos Fósseis”, que o sr Domingos, o guarda ali designado pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, ciosamente nos revela. Ali se encontra o “segredo bem guardado”.
O local está classificado como património da UNESCO, parte integrante do Geoparque Naturtejo. (Ver http://www.naturtejo.com/conteudos/pt/geo_sitios_2.php)Naquele local estavam pequenas habitações onde também funcionavam moinhos de água. Estas estruturas estão hoje recuperadas. Na parte habitacional encontramos objectos de uso comum outrora. Os moinhos estão ainda aptos para trabalhar e servem hoje uma outra função: são pequenos “Ecomuseus” onde pequenos e graúdos podem rever ou descobrir a moagem. Podemos observar ainda o forno de lenha, anexo a uma das casas.
Tudo nos explica o Sr Domingos, e vale a pena ouvi-lo, pelo conhecimento e pelo orgulho que revela.
Mais abaixo a descoberta continua: por um caminho marcado pelos séculos descobrimos nas escarpas mais e mais pormenores de fósseis. E lá em baixo a praia Fluvial, com uma pequena cascata. Um belo local para ouvir a água, descansar e claro tomar um belo banho. Aqui fica a sugestão…

Mais fotos em:
http://pafonso.multiply.com/photos/album/132/O_outro_lado_de_Penha_Garcia

domingo, 19 de outubro de 2008

Martim Branco, a simples aldeia de xisto

É uma aldeia Antiga, de gentes idosas. São poucas as aldeias que hoje permanecem naturalmente em xisto, mas nesta encontra-se ainda a cor escura desta pedra.
Aqui e além vêm-se fotos de recantos da aldeia, pormenores que parecem permanecer nos nossos olhos.Destaca-se o forno da aldeia, restaurado agora, que mantém ainda os assentos para as gamelas, de onde sai a broa para o barranhão e depois para o forno, na pá.Ao lado encontra-se uma “Casa da Cultura” onde se realizarão eventos e pequenas palestras e encontros.Em vários locais encontramos a fruta da época: as uvas, os marmelos, os figos… e todos nos trazem um cheiro especial, uma lembrança de ruralidade quase esquecida.Nas ruas prende-se o olhar numa fechadura antiga, na carroça velha, no conjunto de abóboras amarelinhas, no forno que ainda mostra a cinza da última cozedura.A aldeia calma anima-se ao fim de semana quando os filhos visitam os seus pais, ou outros regressam para um descanso de 2 dias.
A aldeia de xisto não é apenas aquilo que está à vista.
A aldeia de xisto é a alma de quem vive dentro das casas, na simplicidade de quem nos oferece um cacho de uvas acabadas de colher, nos pede para ficar.E é isso que cativa quem visita Martim Branco… e quem já decidiu lá ficar!


Mais fotos em:
http://pafonso.multiply.com/photos/album/125/Martim_Branco

domingo, 24 de agosto de 2008

Pitões de Júnias

Pitões de Júnias pertence ao concelho de Montalegre dentro do Parque Nacional Peneda-Gerês, chega-se à aldeia a partir da nacional 513 (Travassos, Tourém).

Pitões de Júnias foi para mim uma surpresa. Quando atravessei a aldeia, encontrando um rebanho de bovinos nunca imaginei o que iria ver…

Deixámos o carro junto ao cemitério da aldeia e descemos uma encosta cujo caminho é calcetado… Aqui e ali encontramos indicações que nos informam das direcções a seguir.

Chegamos a um pequeno largo que se divide em duas direcções: escolhemos descer primeiro ao Mosteiro de Santa Maria das Júnias, pertencente à ordem de Cister (cuja data provável de fundação é 1147) – declarado Monumento Nacional em 1950. Ao lado está o ribeiro de Campesino, cujas águas claras dão um ambiente musical e etéreo ao local.

Sentimo-nos em paz ali, o isolamento do local e o seu contexto tornam-no único. A Igreja é a estrutura que se mantém por inteiro: ao lado o mosteiro em ruínas deixa adivinhar os claustros, a cozinha, um forno… Vale a pena descobrir aqueles mistérios. E observar as águas límpidas do ribeiro.

Regressamos ao cruzamento acima e continuamos na direcção da cascata do ribeiro de Campesinho. Seguimos o curso de uma levada cheia de água fresca (que mais tarde nos serve para refrescar). A certa altura revela-se uma escadaria longa em madeira E aí pensei que descer seria fácil, mas subir… uiiii!!! Mas vale a pena, nem pensar em desistir.

Foi criado um miradouro ao fundo, com banco de madeira que nos permite descansar e apreciar a vista maravilhosa em frente. O relevo daquele local permite que se forme uma cascata com sucessivas quedas, é tão incrível o local que nos sentimos pequenos.

Senti-me honrada em conhecer aquele local. Se nos aventurarmos mais abaixo, revelam-se outros pormenores da cascata. Os pássaros aproveitam a deslocação do ar e divertem-se a planar, parecem também eles apreciar a beleza das águas. Não há vontade de partir mas regressamos, subindo de volta à aldeia.

O almoço que se segue no Parque criado pelo PNPG sabe a mel… a fome já era muita. Este é um percurso a não perder, para quem ama a paz da natureza, para quem gosta de lhe sentir os cheiros. É uma paisagem agreste, onde se descobrem os desenhos da pedra de granito, entre o verde da vegetação e aqui e ali encontramos verdadeiros tesouros: como este Mosteiro de origem pré-românica e esta cascata de sonhos…


Mais fotos em:

http://pafonso.multiply.com/photos/album/118/118

sábado, 23 de agosto de 2008

Aldeia do Carvalhal Miúdo

A aldeia do Carvalhal Miúdo é uma aldeia a poucos quilometros de Goís, que tem sofrido com a desertificação, o acesso á aldeia faz-se a partir da EN2 (Gois – Pampilhosa).

16 de Agosto de 2008... O dia amanhece chuvoso, uma surpresa... e que tal um passeio a pé?
Vamos respirar o ar da serra, sentir o cheiro de terra molhad
a. Revisitar recantos, relembrar cenários.
Descemos pela estrada nova até à cortada para Carvalhal Miúdo e daí, entre nevoeiro e pingos de chuva chegamos à aldeia de Carvalhal Miúdo.
Apesar da meteorologia a paisagem é sempre bonita: reconhecemos Cortecega do outro lado que parece amparar o Rabadão; o rio Ceira que serpenteia até Góis, que àquela altura está coberta em nevoeiro.Passeamo-nos pelas ruelas da aldeia, entre casas brancas e em xisto. Vinha por vezes a algumas casas a mando do meu pai, reconheço-lhes a soleira. Algumas casas restauradas e outras em ruína... Aqui e ali estão pequenos recantos floridos, árvores de fruto que mostram a sua produção.
Ao fundo do lugar está o lavadouro, ao lado da antiga casa dos Neves... tão imponente ainda , mesmo já sem telhado. Tantos momentos de brincadeira ali passei à frente, enquanto guardáva o gado. Encontramos pessoas conhecidas - estamos em Agosto, a aldeia tem de novo vida.

Subimos a aldeia de volta ao Esporão. Prometo voltar mais vezes - afinal estas aldeias sempre foram "irmãs". As relações familiares e as estruras e bens partilhados o demonstram. Até sempre Carvalhal Miúdo!

Mais fotos em:
http://pafonso.multiply.com/photos/album/121/121

Blog da Aldeia:
http://notasdecarvalhal-miudoeladeirasdegois.blogspot.com/

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Aldeia do Esporão (Goís)

O Esporão é uma aldeia a poucos quilometros de Goís, que tem conseguido contrariar a desertificação tipica nas aldeias portuguesas e manter alguma população, inclusive crianças.
Quem passa na EN2 (Gois – Pampilhosa) apenas vê alguns edificios recentes, desconhecendo que mais abaixo, escondida na encosta, está a parte antiga da aldeia, ainda com as casas em xisto e as ruelas em calçada.A caminho da parte antiga da Aldeia passamos pela Comissão de Melhoramentos do Esporão, onde além de um pequeno bar existe um salão de eventos com Palco, e é possivel encontrar condições para a realização de eventos.
Junto ao Edificio, encontra-se um Parque de Lazer com Parque infantil, zona de jogos e Parque de merendas, churrasqueira e forno a lenha.Mais perto da parte antiga encontramos o Museu da aldeia, um pequeno edifício revestido a xisto onde se pode visitar uma pequena exposiçãocom objectos e fotografias da aldeia e dos seus antepassados. Nele é possível ver sazonalmente exposições temporárias.Na parte antiga podemos encontrar ruínas e casas recuperadas, algumas das quais disponíveis para turismo rural. Pelo Santo António realizam-se festejos nas ruas da antigas da aldeia, relembrando os bailaricos de outros tempos.Esta é uma aldeia calma onde ainda se podem ver galinhas à solta e caprinos a pastar.Da parte mais antiga da aldeia sai uma rua calcetada para um "bairro" desta aldeia, a Boleirinha. A meio deste caminho está visivel o antigo lagar, cuja força motriz usada eram os bois. No ponto onde este caminho deixa a aldeia esta o Lavadouro, que foi construído pela população. Os amanheceres nesta aldeia, em dias que o Ceira esteja coberto de nevoeiro tornam-se inesqueciveis. Vejam abaixo:Fotos da aldeia em:
http://pafonso.multiply.com/photos/album/51/51
http://pafonso.multiply.com/photos/album/93/Aldeia_do_Esporao
http://pafonso.multiply.com/photos/album/98/98
http://pafonso.multiply.com/photos/album/99/99